Valdemar Pinheiro, 2019 09 26 - Cascais24 - 

Mónica Araújo Silva, 48 anos, de nacionalidade brasileira e ex-alegada consultora da Petrobrás é a coordenadora da Protecção Civil de Cascais, nomeada por Carlos Carreiras.

Promete “planeamento” e “prevenção”, pois, segundo afirmou em reunião há tempos com os agentes de Proteção civil do concelho, “ a capacidade de resposta no terreno está bem entregue”.

Mónica Silva sucede no cargo a Maria do Céu Garcia, entretanto regressada à empresa municipal Cascais Dinâmica.

No entanto, a nomeação de Mónica Silva para o cargo de coordenadora da Proteção Civil de Cascais está a gerar um desconforto cada vez maior na estrutura de este importante órgão, apurou Cascais24

“Com tanta gente qualificada e habilitada para o cargo, para mais conhecedora da região, como é possível ir buscar e nomear alguém de fora, que não conhece minimamente a realidade portuguesa e, em particular, a do concelho de Cascais”, questionam algumas fontes contatadas por Cascais24.

Mónica, que vive em Portugal há cerca de um ano e possui autorização de residência do SEF, foi nomeada por Carlos Carreiras por despacho de abril de 2019 (publicado apenas em junho) para dirigente máxima da Proteção Civil de Cascais.

Segundo Cascais24 apurou, a nomeação baseou-se na confiança pessoal de Carlos Carreiras e tem suscitado polémica dentro da estrutura, seja pelo perfil profissional, seja pela (pouca) experiência da mesma, seja pelo conhecimento reduzido que a mesma possui sobre Cascais e sobre a realidade da Proteção Civil no concelho e no País.

De acordo com o despacho de nomeação publicado no Diário da República, em 7 de junho de 2019, Mónica Araújo da Silva tem um percurso profissional centrado no Brasil e, concretamente, na Petrobrás- a empresa brasileira alvo de investigação no âmbito do processo Lava-Jato.

Mónica Araújo da Silva, nascida em 1971, trabalhou na Petrobrás entre de 1991 e setembro de 2018, tendo sido nomeada Adjunta do Gabinete de Apoio à vereação pelo presidente Carlos Carreiras a 2 janeiro de 2019, cargo que desempenhou até 1 de maio, quando produziu efeito a sua nomeação para a Proteção Civil de Cascais.

Em termos de habilitações académicas, a coordenadora da Proteção Civil de Cascais afirma-se  “Bacharel” em Economia pela Universidade Gama Filho – universidade considerada “universidade fantasma” em 2014, que fechou depois de escândalos financeiros e académicos; possui uma “graduação executiva” em gestão e planeamento ambiental na Universidade Estácio de Sá, um MBA em “Professional Self Coaching” no Instituto Brasileiro de Coaching e um “mestrado” em Defesa Civil da Universidade Federal Fluminense.

A única experiência profissional relacionada com a proteção civil que Mónica Araújo da Silva possui são, ainda de acordo com o Diário da República, uns cursos profissionais e seminários em que a mesma participou.

Esta nomeação, que apanhou de surpresa diversos membros dos órgãos da Proteção Civil e dos organismos que o compõem, é tanto mais contestada quanto a nomeada era desconhecida no meio e, aparentemente, tem um tratamento privilegiado junto da Câmara Municipal de Cascais, para além dos carros de função que usa.

Recorde-se que, de acordo com o site oficial do município de Cascais, “O Serviço Municipal de Proteção Civil (SMPC) é a estrutura municipal incumbida de executar a política municipal de segurança no âmbito da proteção civil no concelho de Cascais.

Criado a 28 de Outubro de 1987, tem por missão executar e coordenar a política municipal de proteção civil, nomeadamente na prevenção, preparação, resposta e recuperação a acidentes graves, e catástrofes, promovendo a proteção e o socorro das populações, dos bens, do património e do ambiente no concelho de Cascais.”, pelo que, segundo fontes contatadas por Cascais24, que pediram o anonimato, não deixa de causar estranheza a opção feita pelo presidente da Câmara Municipal de Cascais.

                                                   Carlos Carreiras          Mónica Araújo Silva

O (im) previsível Senhor Carreiras 

Era previsível que, aquando da saída de Maria do Céu Garcia do cargo de Coordenadora da Proteção Civil Municipal de Cascais, o chamado chefe do governo local de Cascais, senhor Carlos Carreiras, ponderasse na nomeação de substituição de alguém qualificado e habilitado para o exercício da função. Cascais possui gente muito competente. Muitos com sobejas provas dadas! É inegável. Eis alguns nomes: Carlos Mata, antigo comandante dos Bombeiros de Alcabideche e comandante operacional distrital de Proteção Civil de Lisboa e, atualmente, diretor do serviço municipal de Proteção Civil; Carlos Estibeira, também atualmente chefe de operações da Proteção Civil Municipal e segundo comandante dos Bombeiros de Cascais. É considerado "muito experiente" na área da proteção civil; Pedro Araújo, comandante dos Bombeiros de Parede, é outro dos nomes que o senhor Carlos Carreiras ignorou. É um dos mais qualificados e, na atualidade, entendidos homens com profundos conhecimentos na área". Outros existem, na atualidade, que estão qualificados e habilitados para desempenhar tão espinhoso cargo! No entanto, o (im) previsível (?) senhor Carlos Carreiras optou, (sabe-se lá porquê e com que fundamentos) entregar o cargo a alguém (de fora) e com apenas 5 meses de alegada ligação ao município como Adjunta do presidente da Câmara! Não está em causa o facto da senhora Mónica Araújo Silva ser cidadã brasileira, embora sejam conhecidas as conexões do senhor Carreiras a terras de Vera Cruz, mormente desde os tempos em que trabalhou para Sousa Cintra ou outras que, eventualmente, possam existir! Está em causa o reconhecimento e o respeito que deveria ter por profissionais que sempre deram e continuam a dar pela segurança de pessoas e bens no concelho que o senhor, ao que parece, mais uma vez, terá preterido a outros interesses que, assumo, não serão certamente os da segurança dos cascalenses!

 


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