A Câmara Municipal de Cascais publicou hoje um post a dizer o seguinte: “O Bairro dos Museus e a Fundação D. Luís I foram hoje distinguidos com o galardão Interpretação Patrimonial (…). Para este prémio contribuíram várias intervenções como a reabilitação e musealização do Farol de Santa Marta; a reabilitação da Casa Sommer para instalação do Arquivo de História Local; o Museu Paula Rego, a Casa de Santa Marta ou a reabilitação da Cidadela de Cascais, ou seja, um conjunto renovado de equipamentos culturais que tivemos a oportunidade de lançar e concretizar”.

Há, porém, um “pormenor” que demonstra a “lata” ou despudor deste executivo e de como o mesmo gosta de colher o que, verdadeiramente, não semeou: não foi o atual executivo municipal que teve a “oportunidade de lançar e concretizar” os equipamentos culturais em questão.

Na realidade, foi na presidência de António Capucho que foi reabilitado e inaugurado o Farol-Museu de Santa Marta em colaboração com a Marinha; que foi adquirida a Casa Sommer (agora musealizada); que foi inaugurada a Casa das Histórias Paula Rego; que foi reabilitada a Cidadela de Cascais (depois de resgatada ao Estado), incluindo o que se refere ao Palácio (obra que ficou a cargo da Presidência da República) e à instalação do Hotel na sequência de um concurso público. Portanto, ao contrário do que afirma o post da CMC, não foi – claramente! – a ação deste executivo que determinou a distinção agora conferida (e que é de louvar).

Museu Paula Rego

Deste executivo aquilo que se conhece, em termos de política cultural, são os flops/bluffs do Museu do Vhils, do Motor Passion Museum (sobre os quais a CMC nada diz), da Escola D. Luís, do Festival de Cinema, da Feira do Livro, do Lumina (apesar da perda de qualidade das últimas edições, curiosamente as mais patrocinadas) e da recuperação do Edifício Cruzeiro (que continua a marcar passo) e a ausência de bibliotecas públicas decentes, novos museus, salas de espetáculo e equipamentos culturais de relevo. Por outras palavras, fora a propaganda, a política cultural da CMC nos últimos oito anos é um deserto.

O que se constata é, pois, que a CMC não tem a hombridade de atribuir os méritos a quem os teve e que não são seguramente os “eventos” que a CMC tanto apoia, subsidia e promove que fazem uma política cultural, tal como não foram nem são os “eventos” que deram azo à distinção agora conferida.

O seu a seu dono. Esta distinção não é, pois, de todo, um mérito do atual executivo.


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