Pedro Jordão, 2019 09 18

Há cerca de duas semanas Carlos Carreiras decidiu atacar António Capucho. Bastaria esta frase para que se ficasse com um retrato claro do nível de quem exerce a presidência da Câmara de Cascais.

Com efeito e para não usar outros adjectivos, é caricato e vergonhoso que a concelhia de Cascais (presidida por Basílio Castro, presidente da Assembleia de Freguesia de Cascais e Estoril) tenha recusado a candidatura à readmissão no PSD de António Capucho.

Uma simples consulta sobre António Capucho no Wikipédia revela que, durante o Estado Novo, apoiou as candidaturas da Oposição Democrática; que aderiu ao PPD/PSD em 1974, foi secretário-geral adjunto e depois secretário-geral desse partido no tempo de Sá Carneiro, de Pinto Balsemão e de Durão Barroso; foi vice-presidente da Comissão Política Nacional do PSD no tempo de Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa e Durão Barroso; foi deputado entre 1980 e 1999 e presidente do grupo parlamentar do PSD entre 1984-1987 e 1999-2001; foi Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro e, depois, Ministro da Qualidade de Vida e Ministro dos Assuntos Parlamentares entre 1987 e 1989; e coordenador do Grupo Europeu do PSD e Vice-Presidente do Parlamento Europeu (entre 1989 e 1998). Além disso, foi Presidente da Câmara entre 2001 e 2011. Tem diversos livros publicados e foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (em 1997) e com a Medalha de Honra do Município de Cascais.

Já sobre Carlos Carreiras diz o Wikipédia, fundamentalmente, o seguinte:

Cedo se mudou para Cascais, passando toda a sua infância e adolescência na freguesia de São Domingos de Rana. Estudou nos Salesianos do Estoril, tendo sido convidado a sair devido à sua rebeldia. Mudou-se para o liceu de Carcavelos.

Licenciado [?] em Contabilidade e Administração pelo Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa do Instituto Politécnico de Lisboa, em 1988, Carlos Carreiras passou toda a sua vida profissional no mundo das empresas antes de chegar à política executiva.

Exerceu funções de direcção e administração em diversos grupos privados, operadores nos sectores da hotelaria e turismo, imobiliário, distribuição de combustíveis [!] e produtos de grande consumo [?].

Militante do PPD/PSD, sucedeu a António Capucho, como Presidente da Câmara Municipal de Cascais, a 28 de Janeiro de 2011, tendo sido candidato, com sucesso, da coligação PSD/CDS-PP à mesma autarquia nas eleições autárquicas de 2013 e 2017 com duas maiorias absolutas. Antes disso, ocupava o cargo de Vice-Presidente da mesma autarquia e, antes desse, o de Vereador, tendo presidido aos Conselhos de Administração das Agências Municipais Cascais Atlântico, Cascais Energia, Cascais Natura e DNA Cascais (Empreendedorismo) No PSD foi Vice-Presidente do partido de 2013 a 2015 e líder da Comissão Política Distrital de Lisboa entre 2007 e 2011.”

Como é evidente, Carlos Carreiras – que é um dos primeiros produtos das Jotas – nunca poderá ter a cultura, a capacidade e o nível de António Capucho. Mas que alguém com tão pouco mérito e passado, que alcançou o cargo que ocupa graças a António Capucho, se permita vir para os jornais e para o Facebook criticar quem tanto fez pelo País, pelo PSD e a quem a população de Cascais (independentemente das opções partidárias) reconhece indiscutível valor, dá bem a ideia da diferença de estatura de um e outro.

É certo que Carlos Carreiras tem vindo a afirmar que está de saída e é manifesto que, face ao desnorte que tem sido a governação autárquica e aos erros políticos pelo mesmo cometidos de aproximação ao Aliança e de traição a Rui Rio, dele não se pode esperar grande coisa. Mas que venha atacar António Capucho, que, goste-se ou não do mesmo e da forma como exerceu os seus mandatos, é indiscutivelmente uma personalidade de relevo a nível nacional e um dos Cascaenses mais ilustres, é um claro sinal do desespero político de quem receia que a sua linha (de Passos Coelho e Relvas) perca definitivamente o poder. Daí que se multiplique em apoios a Pinto Luz, única forma de tentar evitar aquilo que se avizinha. E se Carlos Carreiras, naquele português arrevesado que se lhe conhece quando escreve pelo próprio punho, veio afirmar que “Não ficava bem com a minha consciência se não torna-se pública a minha SOLIDARIEDADE e APOIO para com a Comissão Política do PSD/Cascais”, acusar António Capucho de “cobardia política” e pôr em causa a seriedade, honradez deste último e o respeito e consideração que lhe têm os Cascaenses, apenas se lhe deve lembrar as palavras que o mesmo põe na boca do seu próprio Avô: “Há quem não se enxergue”!


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