Comentando o debate havido, hoje de manhã, entre Rui Rio e António Costa, o jornalista João Miguel Tavares assina mais um excelente artigo de opinião que define o modo como o nosso povo reage a certos acontecimentos que podem determinar, dramaticamente, o seu grau de felicidade ou de amargura. No fundo, a questão é a seguinte: porque raio é que as forças que condicionam a inteligência do nosso comportamento nos levam a desperdiçar oportunidade flagrantes que nos poderiam dar, de bandeja, uma melhor qualidade de vida e uma felicidade mais duradoura?

A determinada altura podemos ler no texto do José Miguel Tavares o seguinte desabafo: Pisamos e repisamos perguntas sobre “quem é o seu principal adversário?” ou “com quem é que se vai coligar?”, e ninguém se dá ao trabalho de explicar porque é que Portugal continua a ser ultrapassado por todos os países que entraram depois de nós na União Europeia; porque é que países arrasados pela guerra ressuscitam em 20 ou 30 anos, e nós, que não nos cai uma bomba em território continental há dois séculos, não saímos da cepa torta; porque é que trabalhamos pior do que os outros; porque é que nos temos de conformar com isso; porque é que os nossos melhores crânios saem todos do país para irem competir num mercado global; porque é que o nosso PSI-20 só tem 18 empresas; porque é que não há uma única marca portuguesa conhecida em Nova Iorque; porque é que não há uma estratégia para combater a corrupção se ela está na boca de toda a gente; porque é que um país com 200 quilómetros de largura tem o interior ao abandono; porque é que só conseguimos fazer reformas em períodos de falência – e por que raio é que a alternativa a Mário Centeno é um Mário Centeno 2.0. Perguntas tão simples. Perguntas tão ignoradas”.

Será que somos, afinal, um pobre povo votado à condenação da sua intrínseca estupidez, falta de humildade e desbaratada hipocrisia … quando podíamos ser uma nação de gente alegre, desprendida de confusões, sã de princípios e praticante exemplar da solidariedade?

Será que não está ao nosso alcance ver as coisas com lucidez e inteligência, coerentes com as aptidões de cada um, num acto de humildade que enobreça a dignidade e a coragem que faz jus às gloriosas conquistas da nossa história?

Será, ainda, que não nos conseguimos libertar da poluição emocional com que nos agridem as telenovelas e os passatempos de vómito, impingidos pela TV, ou do massacre das “fake news” com que os órgãos de comunicação social nos inundam o juízo para moldar a nossa opinião e o nosso voto?

Acho, sinceramente, que somos bem melhor do que isso !!!

Basta acordar … encher o peito de ar … olhar o céu … e dizer:

Aqui quem pensa sou eu … e não quem me quiser moldar a seu gosto !!!


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