Manuel Rua, 2019 09 27 -  

Em Outubro de 2018 António Costa no exercício da palavra durante um debate quinzenal, na Assembleia da República, dizia textualmente o seguinte ao dirigir-se a Fernando Negrão: “eu estou muito curioso, senhor deputado, em saber o que é que o senhor deputado sabe e não nos quer contar … mas, enfim, um dia … um dia, todos haveremos de saber o que é que cada um sabia sobre esta história de Tancos … haveremos todos de saber um dia”.

Ora o dia em que se concretizou esta profecia de António Costa foi ontem, quando o Ministério Público acusou 23 pessoas das altas patentes das Forças Armadas, entre as quais o ex-ministro Azeredo Lopes que, segundo o Jornal de Notícias, tinha sido avisado da ocorrência dois meses antes dos achamentos da Polícia Judiciária Militar.
Lembro ainda que António Costa, logo a seguir ao ex-ministro ter sido constituído arguido, declarou não ter quaisquer dúvidas sobre a sua inocência: ”eu não tenho a menor das dúvidas que o Azeredo Lopes não cometeu qualquer ilegalidade ou qualquer tipo de crime …”.

Ora, em minha opinião, António Costa parece tentar, habilidosamente, desviar as atenções do público para uma interpretação que nada tem a ver com o cerne da questão. Ninguém está a acusar o senhor ex-ministro da Defesa de ter cometido qualquer “ilegalidade ou crime” ou de ter sido ele a roubar as armas. O que o senhor ministro cometeu, certamente, foi um tremendo acto de negligência ou de manifesta incompetência quando, ao ter conhecimento dos factos, não ter avisado o chefe do governo da gravidade dos mesmos. Portanto, se o ministro avisou Costa e ele sabia da “coisa” … então, António Costa deverá ser alvo de uma investigação … Se o ministro não avisou António Costa na altura devida … então ficamos todos a saber que temos um primeiro ministro fragilizado porque que chefia um governo no qual os ministros agem sem coordenação superior.

Será legítimo perguntar … quantos outros casos de idêntica gravidade terá havido que nunca chegaram aos ouvidos do primeiro ministro, deixando “passar ao lado” acções possivelmente muito condenáveis que escaparam à alçada da investigação judicial e da Justiça.

Perguntar ao senhor primeiro ministro se ele sabia ou não do caso, é um direito que nos assiste na qualidade de cidadãos atentos. A pergunta é exclusivamente de cariz político! NADA TEM DE ACUSATÓRIO … e tudo tem de direito ao esclarecimento público sobre as actuações do governo.

Aproveito para manifestar o meu desagrado pela forma, que considero tortuosa como o António Costa se tenta evadir de responsabilidades nesta matéria.


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