Opinião

 João Sande e Castro

Iniciaram-se recentemente as obras de construção de um supermercado nos terrenos do Estoril Praia. Era um compromisso antigo do clube para com o Pingo Doce a que a Câmara resolveu agora dar seguimento.

À primeira vista a solução parece perfeita: O clube obtém financiamento através da concessão do supermercado sem qualquer despesa para a autarquia. O clube ganha, a empresa também e a Câmara não gasta.

Seria óptimo, mas existem alguns senãos.

Em primeiro lugar há uma enorme tendência para os clubes fazerem maus negócios quando se metem em especulação imobiliária ou se dedicam a atividades que nada têm que ver com desporto. Foi assim com o próprio Estoril Praia quando obteve autorização para construir apartamentos no final dos anos noventa, foi assim com o Abóboda quando obteve a concessão de um supermercado, que enquanto vereador do desporto troquei pela construção de uma piscina municipal, foi assim quando o Sassoeiros urbanizou o terreno do pavilhão antigo, e foi também assim quando o Dramático obteve a concessão de uma bomba de gasolina. Assim que os clubes receberam dinheiro este desapareceu em menos de um pau de fósforo, fruto da enorme pressão para realizar despesa que afecta todos os clubes.

Na verdade, esta é uma solução errada do ponto de vista urbanístico, desportivo e também económico.
É errado pelo urbanismo, pois permite que terrenos destinados à construção de equipamento público, neste caso de um pavilhão desportivo ou de uma piscina que tanta falta fazem, sejam afetos a outros usos. Sabendo das dificuldades em arranjar terrenos para a construção de infraestruturas desportivas, faz-me confusão que quando estes estão disponíveis sirvam para outros usos.

É também errado do ponto de vista desportivo, porque estes negócios levam a que os clubes centrem a sua atividade em matérias que nada têm que ver com a sua vocação.
Por fim, é errado do ponto de vista económico, pois a utilização de terrenos atribuídos pelo Estado e autarquias a negócios privados sem qualquer concurso cria situações de favorecimento que distorcem as regras da concorrência.

É fundamental que se reinicie um programa de construção de novas infraestruturas desportivas, afetando todos os terrenos disponíveis atualmente e obtendo financiamento comunitário que complete o necessário investimento municipal.

 


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